Obs: Desculpe qualquer redundância durante o tópico, do qual atualizarei quando possível. ;)
1. Não subestime ou frustre o jogador.
Como definir se um 'puzzle' é desafiador na medida certa? A resposta é ‘feedback’.
É muito comum que acabemos inconscientemente subestimando ou punindo demais os jogadores, afinal a resposta de um quebra cabeça é óbvia para nós que desenvolvemos ele, mas para quem está jogando aquilo pela primeira vez não é. Consiga o máximo de pessoas possíveis para testar o jogo. Anote a reação delas e seja maleável quanto as opiniões.
Braid é um belo exemplo do certo em jogos de puzzle e plataforma.
2. Cuidado com tutorias
Evite tutoriais que encham a tela de informações ou que não sejam relevantes para aquele momento. Para que urgência em mostrar todos comandos de uma vez? Não sobrecarregue o jogador com informações, sendo que muitas delas serão esquecidas quando voltar ao jogo. Cogite optar na possibilidade dos primeiros níveis serem tutoriais sutis, que não quebre o ritmo de jogo, ou que no máximo explique os controles de modo resumido na medida que surge a necessidade.
Deixe que os puzzles exemplifiquem a mecânica na prática, tornando-os recompensadores.
Far Cry Blood Dragon e sua clássica paródia de tutoriais "Correr é como andar, só que mais rápido."
3. Curva de dificuldade
A mecânica deve evoluir a cada nova etapa apresentando elementos inéditos para o jogador. Deve-se instigar que ele saia da zona de conforto e se depare com problemas diferentes, que seja criativo face as novas tribulações impostas pelo desenvolvedor (isso mesmo. Você.) [autopromoção] No meu jogo "Alma" (um puzzle misturado com plataforma); me preocupei em fazer que as primeiras fazes exemplificassem a mecânica básica do uso de clones para alcançar o objetivo. Na medida que o jogo progredia novos elementos surgiam para manter a jogabilidade dinâmica e evitar que o jogador sentisse tédio. [/autopromoção]
Elabore os desafios de tal modo que jamais o jogador diga: "Eu já sei como resolver este problema" e consiga concluir o quebra cabeça sem antes mesmo ter inspecionado os elementos que compõe o puzzle.
The Cat Lady mistura quebra cabeças interessantes e um enredo que o torna a maior recompensa por cada vitória.
4. Repetição
Como disse Stephan King em A tempestade do século; "inferno é repetição". Evite ao máximo repetir as mesmas mecânicas sem oferecer algo novo.
Quebra cabeça não deve ser visto como um obstáculo para obrigar o jogador a ficar mais tempo naquela seção. Ele é um desafio de inteligência e criatividade.
Tenha em mente que o jogador não vai querer se deparar com o mesmo "desafio" outra vez, ou pior, várias vezes durante sua jogatina. Até mesmo ideias originais são mal aproveitadas quando usadas sem moderação. Uncharted 4 consegue ter ótimos puzzles (principalmente aqueles que envolvem o caderno de Drake) e alguns não tão bons que Naughty dog parece não abrir mão: "empurrar caixas".
Nem mesmo um dos melhores jogos da geração está livre de problemas, no caso de Uncharted 4 eles se chamam "caixas com rodinhas".
5. Pense de modo abstrato mas execute de modo lógico.
Todo bom quebra cabeça, por mais absurdo que alguns possam parecer, ainda assim tem alguma solução "lógica" (ou seja, que faça sentido no final). Tenha isto em mente na concepção do seu jogo. Do contrário será difícil que alguém queira terminá-lo. Lembre-se que o objetivo deve estar claro para evitar que o jogador tente qualquer opção para obter sucesso ao acaso. Lembra-se de Grim fandando? Lá vem spoiler:
Grim Fandango tem puzzles que requerem muito empenho por parte dos jogadores, mas as recompensas compensam o investimento.
6. Puzzle envolvendo itens
Ao elaborar puzzles envolvendo coleta de itens tome muito cuidado. Obrigar o jogador a vasculhar cada centímetro de um enorme cenário na busca por objetos minúsculos pode ser uma armadilha se não for bem executado.
Evite colocar objetos que não serão usados, alguns adventures não são jogados até o fim graças a frustração do jogador em tentar usar meia dúzia de itens que na verdade são inúteis (e dos quais ele não sabe quais são).
Se o seu jogo permite combinar itens e isso faz parte do quebra cabeça, permita que os objetos possam ser combinados antes mesmo de que todas peças sejam encontradas.
Black Dahlia foi um projeto ousado mesclando atores reais, investigação e elementos sobrenaturais. Três elementos que não podem falhar não é mesmo? Errado. O jogo só não fez tanto sucesso graças aos seus quebra cabeças absurdamente difíceis e nada intuitivos. Há dezenas de objetos e informações inúteis espalhadas pelo cenário, onde você provavelmente vai passar horas lendo os arquivos em busca de pistas falsas. Um desperdício de potencial. Mesmo assim recomendo o jogo. (ótima dublagem em português)
7. Puzzle envolvendo códigos
Se você conhece cifra de César, enigma, código morse e/ou várias outros estilos de criptografia: Legal. Mas nunca faça que estas coisas sirvam para progredir no jogo.
Quer bons exemplos do uso destas façanhas? Call of duty zombies utiliza um nível absurdo de mensagens criptografadas espalhadas pelos cenários, porém nenhuma delas faz diferença no ritmo do jogo. Servindo apenas para revelar pontos interessantes sobre o enredo ou spoilers sobre alguma próxima DLC.
Um exemplo do uso certo de enigmas envolvendo códigos cifrados está em Call of Duty Zombies. Nenhum deles afeta a jogabilidade. Uma grande fanbase caça estas pistas e faz o jogo sobreviver por muito mais tempo.
8. A solução deve ser interna.
A solução do puzzle não deve, em momento algum estar fora do jogo. O jogador deve descobrir a solução dos desafios utilizando as ferramentas dispostas por você e não na internet. Claro que isto exclui coisas de conhecimento geral como matemática básica (subtração, adição, multiplicação ou divisão) ou interpretação de texto (especialmente uso dos parênteses).
O jogador não é obrigado a ter uma caneta, um caderno e um desses no bolso enquanto joga.
9. Não quebre a ritmo do seu jogo.
Desenvolvendo aquele Fps frenético focado na velocidade e violência? Então é provável que os "Puzzles" que se encaixam nesta mecânica envolvam os chefões ou inimigos que não podem ser derrotados de maneira convencional. Veja por exemplo o Doom (2016), os bosses são extremamente fortes, para conseguir derrota-los é necessário entender os movimentos do inimigo, descobrir como ele reage e o quanto de dano você pode oferecer com determinada arma, tudo isso enquanto desvia dos projéteis. Ou seja: Em um jogo deste estilo não obrigue o pobre jogador fazendo que ele empurre caixas pesadas para chegar ao objetivo, não faça que ele seja obrigado a decorar códigos e digitar em algum terminal.
Apesar de meu exemplo, isso vale para todos estilos. Saiba controlar o ritmo do seu jogo. Colocar apenas momentos de ação e um puzzle complexo quase no final não funciona para todos. Procure um meio de conciliar a tensão e as etapas mais calmas.
Doom (2016)contém um modo puzzle envolvendo lógica de programação (Snapmap puzzles). Mas nada disto está na campanha, e sim numa opção a parte.
Espero que essas dicas possam ajudar principalmente os iniciantes. (Levando em conta que não sou nenhum expert)
Atualizarei caso me lembre de algo mais sobre o tema.
Vikintor